Este é o nosso cavalo brincalhão!
MEU TORDILHO (VÍdeos) escrito em domingo 22 janeiro 2012 18:41
GAJÁ DO INFINITO (VÍdeos) escrito em domingo 22 janeiro 2012 18:33
ÚLTIMO MATE (Causos) escrito em sábado 21 janeiro 2012 14:03
A pedido do patrão, a lida tinha que ser findada ainda naquele dia.
Chegou em casa, já estava escuro. Desencilhou e antes da bóia ainda cevou o amargo.
Sentou-se a frente do rancho num banquinho de três pernas, reclinando contra a parede para escorar as costas.
Encheu o mate e começou a contemplar a noite escura como ele e as longínquas estrelas. O pensamento foi lhe levando cada vez mais próximo delas. Sentia a existência de um Patrão Maior que lá da sede daquela imensa fazenda controlava toda a peonada espalhada pelas invernadas terrenas.
Viu-se sentado no alpendre dela, chimarreando, a contemplar as léguas e léguas de sesmarias, como sempre sonhou fazer um dia que fosse patrão.
Quando amanheceu, foi encontrado morto recostado na parede, ainda com a cuia na mão.
NA MOLDURA DAS COXILHAS (Poesias) escrito em quinta 19 janeiro 2012 05:53
Um Cury da cor da noite,
sobre a melena fincado,
num barbicacho trançado,
se garantindo ao vento,
o zaino troteando atento,
trocando orelhas faceiro
e um laço velho campeiro,
apresilhado nos tentos.
Uma bombacha de favo,
sobre a bota debruçada,
uma adaga atravessada,
em diagonal à espinha
e qual um galo de rinha,
duas esporas bagualas,
que ainda riscam a sala,
nos bailes da tia Candinha.
Um nagão do berro grosso,
escondido na camisa,
só puxa quando precisa,
ou a situação requer.
Um cambicho de mulher,
às vezes nos traz perigo,
ou pra defender um amigo,
se faz uso dos “talher”.
Tal o sol num fim de tarde,
no pescoço um colorado,
abanando pra os dois lados,
juntando de novo as franjas,
relho cabo de pitanga,
com a mesma trança do apero,
e uma água de cheiro,
pra disfarçar a da sanga.
Pras intempéries do tempo,
sobre a anca do animal,
um poncho marca Ideal,
da mesma cor do sombreiro,
dois cuscos flor de campeiros,
que ficam de sentinela,
na hora de molhar a goela,
no balcão do bolicheiro.
Esta é a estampa do taura,
desta Terra Farroupilha,
que na moldura das coxilhas,
peleou e queimou cartucho,
isto sim é o nosso luxo,
é isto que nos orgulha,
pois ainda tem bala na agulha,
nas garruchas dos gaúchos!



